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março 20, 2007

Empresário José d’Orey encontrado sem vida

Esta é a notícia emitida pelo Correio da Manhã, relativa ao aparecimento do empresário José d'Orey:
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José Luís d’Orey saiu de casa, em Azeitão, na manhã de 9 de Outubro do ano passado: deixou os cinco filhos na escola e desapareceu. Ontem, foi encontrado morto, na Serra da Arrábida, a escassos quilómetros da residência.

José Luís d’Orey, o empresário de 48 anos misteriosamente desaparecido desde 9 de Outubro, foi ontem de manhã encontrado morto, dentro do seu carro, num local de difícil acesso na Serra da Arrábida, arredores de Setúbal.

O Renault Mégane Scénic em que seguia quando desapareceu estava coberto por vegetação, no fundo de uma ravina, e foi descoberto na noite de domingo pelos bombeiros na Mata do Solitário, perto do Convento da Arrábida – mas o corpo só foi encontrado, em avançado estado de decomposição, ontem de manhã.

Os bombeiros descobriram a viatura quando rondavam uma carrinha branca, de marca Mercedes, que ali estava abandonada – e que se veio a constatar ter sido roubada na passada semana.

Dado o difícil acesso e o facto de já ser noite, as operações de resgate foram adiadas para ontem de manhã. Antes de um helicóptero do Serviço Nacional de Bombeiros e Protecção Civil resgatar o corpo, uma equipa da PJ de Setúbal recolheu vestígios no local. A carrinha branca, sem ocupantes, tinha sido roubada na semana passada e ali fora abandonada. E o Renault onde se encontrava o cadáver de José Luís d’Orey correspondia à descrição da viatura do empresário misteriosamente desaparecido desde o último dia 9 de Outubro.

À tarde, uma equipa cinotécnica da GNR vasculhou o local. Encontrou uma pasta perto do cadáver. As dúvidas dissiparam-se antes de o resultado dos exames no Instituto de Medicina Legal: era o cadáver de José d’Orey.

ERA RELIGIOSO

José Luís, com vida confortável no Monte dos Barris, nos arredores de Azeitão, Arrábida, despediu-se da mulher naquela manhã de Outubro e, como era hábito, chegou às 08h00 ao colégio dos filhos, em Azeitão, ao volante de um espaçoso Renault Scénic cinzento.

Tinha uma hora para chegar a Alfragide. Era aguardado para uma reunião na ITAU, empresa de restauração do grupo Trivalor. Faltou. Os colegas de trabalho ainda pensaram que estava doente: ligaram-lhe para casa a meio da manhã. A mulher tentou, durante horas, contactá-lo. O telefone ainda chamou, mas depois de várias tentativas desligou-se.

A mulher do empresário, Marina de Mello, 45 anos, decidiu alertar a GNR para o seu desaparecimento. Os militares comunicaram o caso à PJ de Setúbal.

O irmão, Rui d’Orey disse que José não levava mais de dois mil euros consigo. O GPS do telemóvel ainda deu sinal no Montijo, depois calou-se. A PJ não encontrou nenhum registo da via verde nem dos cartões de crédito e multibanco do empresário que chegassem ao seu paradeiro. As imagens da Ponte 25 de Abril não identificaram a carrinha em que seguia o empresário.

Quando José d’Orey desapareceu foi descrito pelos familiares e amigos como uma pessoa alegre e muito católica. Não lhe eram conhecidos problemas. O próprio irmão, Rui, disse que os problemas financeiros eram próprios de qualquer família – nada que o levasse a querer fugir, como chegou a ser avançado.

Os investigadores deram ordens à família de para não falar. Colocaram um apelo na página da internet, mas nenhuma resposta se revelou verdadeira.

Depois de os telefones da família terem ficado sob escuta e de a PJ ter corrido tudo para encontrar o empresário, o corpo de José d’Orey foi encontrado dentro do mesmo carro onde foi visto há cinco meses – o Renault Mégane Scénic de serviço.

O cadáver do empresário, que segundo testemunhas estava irreconhecível, foi levado para o Instituto de Medicina Legal. Só a autópsia poderá determinar a causa da morte.

José Luís d’Orey era amante da caça. E tinha o cuidado de activar o GPS do telemóvel para ser localizado no caso de lhe acontecer alguma coisa. Temia sentir-se mal.

O Correio da Manhã contactou ontem o irmão do empresário, Rui d’Orey, que se limitou a confirmar a morte. “Sim o meu irmão foi encontrado morto. O resto é com a Polícia Judiciária de Setúbal”, disse com uma voz trémula. Fonte da PJ, por sua vez, adiantou que sem autópsia não há conclusões.

Foram Rui d’Orey e a filha que, logo após o desaparecimento, fizeram circular um e-mail pedindo a colaboração na sua localização. O mail deixou de circular na internet e os familiares deixaram de prestar declarações por ordem da Polícia Judiciária.

FAMILIARES E AMIGOS EM BUSCAS

Quando José D’Orey desapareceu, a GNR não fez busca nenhuma porque não tinha sido identificada qualquer zona onde o empresário pudesse estar. Amigos e familiares, cansados de passarem dias sem qualquer novidade, ainda andaram pelos locais onde José costumava caçar e percorreram o caminho que ele fazia de casa para o colégio e escola dos filhos e depois para o trabalho.

No dia que se seguiu ao seu desaparecimento, e em que uma das filhas completava cinco anos, os familiares aguardaram ansiosos por um telefonema. Mas nada. Ainda se colocou a hipótese de rapto, mas as autoridades afastaram a possibilidade quando viram que não foi pedido qualquer resgate.

Mesmo assim, o dinheiro que trazia na pasta poderia levantar essa hipótese, mas alguns cheques que tinha em seu poder nunca foram, sequer, levantados. D’Orey integrava a Associação Portuguesa de Famílias Numerosas. Fernando Castro, presidente, tentou ajudar na divulgação do seu desaparecimento, mas sem qualquer resposta. Outra das hipótese que se colocou foi a sua fuga, por eventuais dívidas, o que a família sempre duvidou.

PASTA

Depois de o corpo de José d’Orey ter sido removido, uma equipa cinotécnica da GNR encontrou uma pasta – de um computador portátil – na zona onde estava o carro. Os documentos foram fundamentais para identificar o condutor, antes de sair o resultado da autópsia feita no Instituto de Medicina Legal.

FAMÍLIA

José Luís Albuquerque d’Orey e Marina de Mello Ferreira Pinto são oriundos de duas das mais tradicionais famílias portuguesas. Os d’Orey têm origem franco-alemã e são descendentes de Gillar d’Orey, barão de Bollandre e senhor de Neufville e de Puilly, na região de Liège. Uma descendente sua, Ulrike Louise Hedwige Uden, casou com Frederico Óscar Guilherme Achilles e o quinto filho deste casal emigrou para Portugal em meados do século XIX. Quanto ao nome Mello, deriva de uma alcunha e a família que o adoptou por apelido é da mais remota e nobre ascendência. Deriva de D. Soeiro Reimondes, o Merlo, contemporâneo dos reis D. Afonso III e D. Dinis.

CARRINHA

Uma carrinha de marca Mercedes largada na Serra da Arrábida foi suficiente para alertar as autoridades. Podia haver feridos. Quando a polícia chegou ao local, concluiu que o veículo tinha sido roubado na passada semana. Fora ali abandonada há dias. Perto da viatura estava outro carro, escondido pela vegetação. Lá dentro um cadáver em estado de decomposição. Era José Luís d’Orey.

HELICÓPTERO

Um helicóptero do Serviço Nacional de Bombeiros e Protecção Civil saiu de Santa Comba Dão logo pela manhã. Ainda não eram 07h00 já os bombeiros estavam prontos para passar à operação de resgate. Os bombeiros de Palmela contribuíram com material adequado. Pelo meio-dia o corpo era resgatado e levado para autópsia. Ao final do dia, a viatura permanecia no local, de difícil acesso.

IMVESTIGAÇÃO

Mal a GNR tomou conhecimento do caso, alertou a Polícia Judiciária de Setúbal. Os inspectores, acompanhados de um médico que declarou o óbito, quando viram tratar-se do monovolume onde seguia José d’Orey – desaparecido há cinco meses – colocaram logo a hipótese de ser o corpo do empresário. A família foi informada da morte ao início da tarde. Mas o mistério ainda não está desvendado.

CASA

José Luís d’Orey vivia nesta casa no Monte dos Barris, na Serra da Arrábida, com a mulher e os cinco filhos entre os cinco e os 15 anos. Depois do desaparecimento, a família fechou-se em casa, limitando as visitas a familiares e amigos próximos e a um psicólogo, que acompanhou as crianças.

CRONOLOGIA

9 DE OUTUBRO - 07H50

José d’Orey sai de casa ainda não eram 08h00. Despede-se da mulher, sorridente, pronto para mais um dia de trabalho

9 DE OUTUBRO - 08H00

Deixa a filha Teresa, de 12 anos, na Escola de Azeitão e a pequena Pureza, de cinco, no Colégio da Arrábida, a 3 km de casa

9 DE OUTUBRO - 09H00

D’Orey não aparece na reunião de trabalho, em Alfragide, Amadora. A meio da manhã os colegas telefonam-lhe para casa

10 DE OUTUBRO

A família já se queixou à GNR e aguarda um telefonema porque a filha de José faz anos. Nem telefonema, nem sinal algum

18 DE MARÇO

Pelas 19h00 os bombeiros descobrem um carro com um cadáver, perto de uma carrinha roubada abandonada na Arrábida

19 DE MARÇO

O cadáver de José Luís d’Orey é removido de uma área difícil na Serra da Arrábida, a alguns metros do Convento

Publicado por José Carlos Campos às março 20, 2007 10:21 AM

Comentários

pois é os bombeiros de palmela , pois ta bem deixem de inventar historias escrevam-nas simplesmente

Publicado por: Anonymous às junho 2, 2009 01:51 AM

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