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março 19, 2007

Sisa Vieira e Alcino Soutinho: Urbanismo?

Este post vem um puco atrasado relativamente à intervenção que foi efectuada na marginal de Vila do Conde, no âmbito do programa POLIS.

Eu sei que estar aqui a introduzir comentários em nada vai alterar o que está feito! E sei que houve oportunidade para fazer-me ouvir adequadamente! No entanto, convém referir que haver oportunidade para fazer-se ouvir, não significa que seja-se ouvido! E mais importante ainda, é perguntar se quem devia ser ouvido, foi?
Já compreendi os objectivos do Programa POLIS, que em seguida transcrevo, proveniente do site www.polis.maotdr.gov.pt:

"Assim, o Programa Polis tem por principais objectivos específicos:

- Desenvolver grandes operações integradas de requalificação urbana com uma forte componente de valorização ambiental;

- Desenvolver acções que contribuam para a requalificação e revitalização de centros urbanos e que promovam a multifuncionalidade desses centros;

- Apoiar outras acções de requalificação que permitam melhorar a qualidade do ambiente urbano e valorizar a presença de elementos ambientais estruturantes tais como frentes de rio ou de costa;

- Apoiar iniciativas que visem aumentar as zonas verdes, promover áreas pedonais e condicionar o trânsito automóvel em centros urbanos."

Portanto, após compreender estes objectivos, enquadrei o caso de Vila do Conde na terceira situação: "valorizar a presença de elementos ambientais estruturantes tais como frentes de rio ou de costa", pois os restantes objectivos foram facilmente excluídos.
Assim, partindo do facto de que a "ideia era valorizar a presença de elementos estruturantes tais como frentes de rio ou de costa", dentro deste objectivo, fico para já com a ideia que a intervenção restringiu-se apenas à zona de costa, pois basta circular no sentido Norte-Sul, e após a curva junto ao Forte S. João, e confirma-se que ficou por aí. Falta saber se por falta de financiamento, por falta de ideias, ou por falta de cuidados na gestão do projecto.
No entanto, não quero aqui desvalorizar tal intervenção, pois creio que Vila do Conde ficou a ganhar com isto. Veja-se que basta que seja um dia mais solarengo para aumentar a afluência a esta zona...

Para nosso orgulho, um dos grandes mentores deste projecto, foi mais uma vez premiado:

Terceiro Prémio Secil para Siza Vieira pela sua terceira piscina
09.03.2007 - 18h03 Alexandra Prado Coelho

Um complexo desportivo em Cornellà de Llobregat, perto de Barcelona, uma piscina metade interior metade exterior, e um “gesto artístico absolutamente inultrapassável”, nas palavras do arquitecto Sérgio Fernandez, presidente do júri, deram hoje a Álvaro Siza Vieira o seu terceiro Prémio Secil de Arquitectura.

Siza, pela terceira vez? O júri ponderou esse factor, mas “não há nada a fazer, porque é muito bom”, resume Sérgio Fernandez, sublinhando, no entanto, que foi uma escolha difícil porque havia “muitos trabalhos de muita qualidade”, entre os quais outras obras de Siza.

Mas o complexo desportivo Ribera-Serrallo foi o escolhido, por unanimidade, pelo júri, formado, para além de Fernandez, pelos arquitectos Leonor Figueira, Armindo Alves Costa, Inês Lobo, Eduardo Souto de Moura (vencedor da edição de 2004), Pedro Maurício Borges (vencedor da de 2002) e Jorge Figueira.

Como o vencedor da última edição não pode apresentar obras a concurso na seguinte, isto significa, lembra Sérgio Fernandez, que na próxima Siza não voltará certamente a ser premiado, porque será membro do júri.

Os responsáveis pela escolha sublinham, por outro lado, que, de acordo com o regulamento, o prémio não é atribuído a um arquitecto nem a uma carreira, mas a uma obra — que tem que ter sido construída nos dois anos anteriores, neste caso 2005/2006. “Foi muito claro que se tratava de um prémio para a melhor obra deste período e era irrelevante se o vencedor tinha sido premiado duas, dez ou 20 vezes”, explica Jorge Figueira.

Siza, que já tem na sua obra uma piscina mundialmente admirada, a de Leça da Palmeira, construída nos anos 60, outra construída na Quinta da Conceição e mais duas em projecto, diz que não tem “nenhuma obsessão por piscinas”.

Não é assim que encara um projecto. “Nunca restringi o meu trabalho ao programa ser mais ou menos interessante para mim. São todos interessantes, depende da forma como se pega neles. Acontece uma piscina, um museu, uma casa — interessam-me por igual”.

A de Cornellà interessou-o também por ser “um programa muito variado”, que incluía, para além da piscina, ginásio, restaurante, etc. E não a vê como uma continuidade ou uma evolução das piscinas de Leça. “A única coisa em que têm a ver uma com a outra é terem água dentro de um tanque onde se nada.” De resto, “a de Leça era uma piscina de marés, com o aproveitamento das rochas naturais”, e a de Cornellà “é urbana, não tem relação com a natureza”, pelo que “a maneira de enfrentar um problema assim é completamente diferente”.

Um dos traços que Sérgio Fernandez destaca na obra — além da “imagem fortíssima” e de “não ter tiques de desenho” — é a enorme liberdade do gesto de Siza. “Está cada vez mais liberto”, comenta. Siza diz que sim, “na atitude mental, talvez”. Mas lamenta que os arquitectos “estejam a projectar cada vez com mais condicionantes” e fala da “difícil conquista de uma margem de liberdade” perante “regulamentos, limitações naturais mas às vezes excessivas em termos de custo da obra, pressões com prazos”.

Acha, apesar disso, que “felizmente há uma margem para os ultrapassar e chegar ao ponto do prazer da arquitectura”. A experiência também ajuda. “Dá-nos uma margem mais larga para explorar as possibilidades”. E admite que quando olha para duas obras como as piscinas de Leça e a de Cornellà, entre uma e outra não foi só a paisagem que mudou. “Mudámos nós também.”

A piscina que Siza projectou e não construiu

“A mais recente piscina que projectei infelizmente não se concretizou.” O arquitecto Álvaro Siza Vieira lamenta que a piscina que tinha planeado para a marginal de Vila do Conde, integrada no Programa Polis local, tenha sido abandonada pela câmara.

“É uma pena, porque um projecto daqueles tem que ter âncoras para funcionar plenamente”, diz, referindo-se não só à piscina, mas aos também projectados e igualmente retirados restaurante, obra de Eduardo Souto de Moura, e um night club, pelo filho de Siza Vieira, Álvaro Leite Siza Vieira. “Espero que depois não venham dizer que aquilo está sem vida”, diz o arquitecto.

Tanto em Leça da Palmeira como em Vila do Conde, Siza está chocado com o que descreve como “o loteamento das praias”. “É terrível o que está a acontecer. Está-se a construir equipamento com muito vulto sobre a areia”, indigna-se. “Em Leça tinha-se libertado o espaço entre a praia e as construções. Assim tapa-se a vista do mar. É uma barbaridade”.

Após esta longa discrição, pergunto:
- Quem lembrou-se destes senhores para projectar urbanismo?
- Quem geriu o projecto?
- Qual a razão para fazerem alterações em elementos que nitidamente não trouxeram qualquer mais valia?
- Alguma vez questionaram-se de quanto custou a iluminação desta marginal?
- Se queremos valorizar a costa, porque fazemos muros e ruas que impedem a sua visão e expansão?

Sei que não obterei respostas a estas questões! Mas também não será preciso! De qualquer das formas, lembro que as coisas quando são feitas concerteza têm um motivo para o serem! Pode esse motivo não ser o melhor...

Publicado por José Carlos Campos às março 19, 2007 05:30 PM

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